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Harness²: melhorar o agente sem mexer no modelo

Radar, Agentes

Um artigo do Google Research propõe deixar o modelo quieto e otimizar o que fica em volta dele: instruções, guardas, memória. Montamos essa oficina na Estação Clínica, com travas próprias e o médico como única pessoa que publica. Em três rodadas ela respondeu “manter” duas vezes, e a única candidata que adotou foi reprovada na confirmação. Isso é o resultado, não um defeito.

5 de novembro de 20267 min de leitura

rodadas em que a oficina respondeu “manter a base”

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rodadas em que a oficina respondeu “manter a base”

Manter é resposta válida, e foi a mais comum

recall de números da candidata reprovada

96,1% → 90,2%

recall de números da candidata reprovada

O “2 → 0” da adoção era ruído de uma rodada só

erros em armadilha na leitura de exame

4 → 0

erros em armadilha na leitura de exame

Com a regra do total do leucograma, no mesmo modelo

custo da rodada mais cara

US$ 1,28

custo da rodada mais cara

126 propostas testadas, decisão: manter

Em resumo

  • O Harness² é um método, não um produto: propor mudanças no que cerca o modelo, testar cada candidata na mesma tarefa e compor a versão final pelo contraste entre as execuções.
  • Na Estação Clínica entrou só o conceito, sem código copiado. A oficina roda num tenant sintético, atrás do funil de pseudonimização, e nunca publica sozinha.
  • A primeira candidata “aprovada” era ruído: com três repetições, o recall de números caiu de 96,1% para 90,2%. Daí veio a regra de confirmar três vezes antes de acreditar.
01

O que é o Harness²

O Harness² é um trabalho do Google Research, publicado em outubro de 2026 sob licença Apache-2.0. A ideia central: o modelo de linguagem fica fixo, e o que se otimiza é o “harness”, tudo o que cerca o modelo numa tarefa, como as instruções, as guardas, a memória e a orientação sobre ferramentas.

O passo central tem três tempos. Um editor propõe mudanças em duas frentes: o procedimento (como fazer) e o conhecimento de especialista (o que saber). Cada candidata roda na mesma tarefa. A versão final é composta pelo contraste entre as execuções, sem gabarito. “Manter a base” é uma resposta válida, e a escolha final é feita às cegas, julgando cobertura, depois correção, depois fidelidade.

Depois de cada tarefa fica uma lição, no formato gatilho, lição, evidência e confiança. É esse registro que faz o harness melhorar de uma rodada para a outra.

Ajuste à mão

Quem escreve o prompt

  • Muda a instrução
  • Roda alguns casos
  • Olha o resultado
  • Decide no olho

Cada mudança vira opinião. Ninguém sabe se melhorou ou se o caso era fácil.

Oficina

Oficina

  • Propõe candidatas em duas frentes
  • Roda todas na mesma tarefa
  • Compõe pelo contraste, às cegas

Médico

  • Publica, ou não

A régua decide o que é melhor. A pessoa decide se entra em produção.

02

Como usamos na Estação Clínica

Lemos o artigo em 20 de outubro e, no mesmo dia, desenhamos a “oficina de agentes” da Estação Clínica. Entrou só o conceito: nenhum código, prompt ou texto foi copiado. O primeiro alvo foi o Escriba, o agente que escreve a nota da consulta; depois vieram o resumo, a segunda leitura de exames, o WhatsApp e a Irene, a nutricionista do WhatsApp.

Duas peças do método foram recusadas de propósito. A adoção automática da versão vencedora: na Estação, só o médico publica. E os “fatos do ambiente” gravados junto com a versão: em saúde, isso seria dado de paciente dentro de um prompt.

Estação Clínica

Oficina de agentes
  1. 1ProporUm editor sugere candidatas para o procedimento e para o conhecimento de especialista. Ele não vê o gabarito.
  2. 2TestarCada candidata roda sobre as mesmas consultas sintéticas, e uma régua em código mede recall de fatos, de números e números sem fonte.
  3. 3ComporA versão final sai do contraste entre as execuções. Se nenhuma candidata vence com folga, a resposta é “manter”.
  4. 4PublicarSó o médico. A oficina entrega um relatório; quem decide é gente.
  • Roda só num tenant sintético, apagado no fim.
  • Toda chamada passa pelo funil de pseudonimização.
  • A régua é código, não a nota do próprio modelo.
  • O relatório leva contagens e hashes, nunca texto de consulta.

Se a oficina não convencer, nada muda: a versão em produção continua a mesma.

03

O que aconteceu em três rodadas

Na primeira rodada, sobre o Escriba, a linha de base já tinha 100% de recall no conjunto de teste. A oficina custou US$ 0,15 e respondeu “manter”. Uma trava de identificador barrou a frente de conhecimento por um falso positivo, corrigido depois.

Na segunda, montamos um conjunto difícil de 30 consultas, 18 de treino e 12 de validação. A oficina adotou uma candidata: os erros em armadilha caíram de 2 para 0, por US$ 0,85. Era bom demais. Repetimos a validação três vezes e a candidata foi reprovada: o recall de números caiu de 96,1% para 90,2%, e os números sem fonte subiram de 2 para 4. O “2 → 0” era ruído de uma rodada só.

Na terceira, 126 propostas por US$ 1,28, e de novo “manter”. A lição mais cara do mês foi a regra que ficou: nenhuma candidata entra sem três repetições na validação.

RodadaConjuntoDecisão da oficinaConfirmação com 3 repetiçõesCusto
1 · EscribaConjunto de teste, base com 100% de recallManterNão precisouUS$ 0,15
2 · Escriba30 consultas difíceis, 18 de treino e 12 de validaçãoAdotar (erros em armadilha 2 → 0)Reprovada: recall de números 96,1% → 90,2%, números sem fonte 2 → 4US$ 0,85
3 · Escriba126 propostasManterNão precisouUS$ 1,28
Consultas sintéticas, num tenant apagado ao fim de cada rodada. Custos de API no momento da rodada.
04

Quando o ganho estava no modelo, não no harness

A mesma régua serviu para uma pergunta que o Harness² não faz: e se o problema for o modelo? Rodamos o Escriba com Opus 5.5 e com Sonnet 5.5 sobre o conjunto de validação. O Opus acertou tudo e custou 2,6 vezes mais por nota. Para uma nota de consulta, onde um número sem fonte é um risco clínico, o Opus passou a ser o modelo recomendado.

Recall no conjunto de validação

Sonnet 5.5Opus 5.5

  • Fatos da consulta na nota

    Sonnet 5.5: 98,3%
    Opus 5.5: 100%
  • Números da consulta na nota

    Sonnet 5.5: 96,1%
    Opus 5.5: 100%

Custo por nota

2,6×

Sonnet 5.5US$ 0,008
Opus 5.5US$ 0,021

O Opus custa 2,6 vezes mais e não erra número

Números sem fonte, nas 12 consultas de validação

Sonnet 5.52 / 12
Opus 5.50 / 12

Um número na nota que não está em nenhuma fala da consulta.

Ver os números em tabela
Sonnet 5.5Opus 5.5
Recall de fatos98,3%100%
Recall de números96,1%100%
Números sem fonte20
Custo por notaUS$ 0,008US$ 0,021
Conjunto de validação de 12 consultas sintéticas, três repetições.
05

A segunda leitura do exame

O segundo alvo foi a leitura de resultados de exame, onde o erro clássico é somar errado as frações do leucograma. Sobre 12 laudos sintéticos com armadilhas, o Sonnet 5 com as instruções de hoje errou 4; com uma regra escrita sobre o total, errou 0 e ficou mais barato; o Haiku 4.5 errou 0 com as instruções de hoje.

As duas rodadas reais da oficina sobre esse alvo responderam “manter”, por US$ 0,095 e US$ 0,085. Nada foi publicado pela oficina. A regra do total entrou pelo caminho normal, com revisão, e no tenant real a fatia de laudos lidos só pela IA caiu de 28,9% para 17,4% entre a versão 3 e a versão 4. Essa comparação não é limpa: o leitor em código também mudou entre as duas.

LeitorErros em armadilha (de 12 laudos)Custo da rodada
Sonnet 5, instruções de hoje4US$ 0,26
Sonnet 5, com a regra do total0US$ 0,19
Haiku 4.5, instruções de hoje0US$ 0,11
Laudos sintéticos escritos para conter armadilhas de soma. Os dois modelos leem o mesmo conjunto.
06

O que ainda não sabemos

  • 01

    Tudo sintético

    A oficina só roda sobre consultas e laudos sintéticos. É a condição para existir em saúde, e também o limite: a distribuição real pode ser outra.

  • 02

    Uma rodada mente

    A candidata “2 → 0” passou numa rodada e caiu em três. Qualquer número de uma execução só, inclusive os desta nota, vale menos do que parece.

  • 03

    A comparação no tenant real não é limpa

    Entre a versão 3 e a 4 do leitor de exames mudaram a regra e o código. A queda de 28,9% para 17,4% na fatia “só IA” não pode ser atribuída a uma coisa só.

  • 04

    Custo da oficina contra o ganho

    Três rodadas custaram menos de US$ 2,50 e produziram uma regra de processo e um “manter”. Compensa como método de decisão; não é uma máquina de ganhos automáticos.

07

Próximos passos

  1. Em curso

    1. Três repetições como regra

    Nenhuma candidata entra sem três execuções na validação, em todos os alvos.

  2. Depois

    2. Oficina no WhatsApp e na Irene

    Os alvos existem desde o fim de outubro; faltam rodadas com conjunto difícil próprio.

  3. Horizonte

    3. Lições que atravessam alvos

    O registro gatilho, lição, evidência e confiança alimentando o próximo alvo, não só o mesmo.

Horizonte

A régua decide o que é melhor. A pessoa decide o que entra.

Se a oficina provar valor em mais alvos, ela vira a porta por onde toda mudança de agente passa: proposta, teste na mesma tarefa, contraste e um relatório para quem publica. Sem gabarito e sem adoção automática.

Mudança proposta num agente
Oficinapropõetestacompõe
  • Manter a basequando nenhuma candidata vence com folga
  • Relatório para o médicoquando uma candidata passa três vezes
  • Lição registradasempre, com gatilho, evidência e confiança
Mudar o que cerca o modelo, com régua. Publicar com gente.

Quer testar uma novidade no seu caso?

O critério de aprovação vem antes do teste, e o resultado vem em número.